Presidente do Inep diz que órgão não se preocupa com 'ranking' do Enem
Para Malvina Tuttman, resultado do Enem 2010 'não foi uma surpresa'.
Divisão do ranking em grupos de participação foi decisão técnica, diz ela.
A presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais
Anísio Teixeira (Inep), Malvina Tuttman, afirmou nesta segunda-feira
(12) que o desempenho das escolas no Exame Nacional do Ensino Médio
(Enem) em 2010 "não é uma surpresa" e que o órgão “não se preocupa com a
questão do ranking” das escolas no Enem.
Em entrevista à Globo News (veja ao lado), Malvina disse que a
preocupação do Inep é encontrar a melhor forma de divulgar os
resultados. As notas do Enem mostraram que apenas 13 escolas públicas
aparecem entre as cem melhores do exame entre as instituições com mais
de 75% de participação dos alunos na prova. "O resultado não é uma
surpresa se analisarmos a educação do país. Ela vem evoluindo, há
investimentos importantes, mas temos de avaliar os resultado no contexto
geral da educação brasileira", disse Malvina.
Segundo ela, as escolas devem evitar fazer comparações com os
concorrentes. "Toda escola deve usar estes dados comparando com o seu
resultado no Enem anterior. O importante é verificar qual o esforço que
cada escola está fazendo para melhorar o seu processo educativo",
ponderou a presidente do Inep.
O Ministério da Educação mudou o critério de divulgação das notas por
escola do Enem. Foram criadas quatro categorias de acordo com a
porcentagem de participação no Enem 2010: de 75% a 100% (17,8% das
escolas); de 50% a 74,9% (20,9% das escolas); de 25% a 49,9% (33% das
escolas); e de 2% a 24,9% (27,4% das escolas)
De acordo com a nota técnica divulgada pelo MEC, não se deve misturar
as categorias para comparação de desempenho entre as escolas. As escolas
que tiveram menos de 2% de participação não foram consideradas. De
acordo com o MEC, a média de participação dos estudantes no Enem 2010
foi de 56,4%.
Segundo Malvina, a mudança no critério de divulgação das notas essa
divisão foi considerada com o objetivo de dar ao público em geral a
possibilidade de visualizar a posição das escolas de acordo com o número
de estudantes que fizeram a prova.
"O Inep não se preocupa com a questão do ranking". "A gente procura
verificar qual é a melhor forma de divulgar os resultados. Consideramos
importante subdividir em quatro categorias, para termos a possibilidade
dos pais, alunos e pesquisadores poderem realizar uma análise mais
técnica e científica dos dados."
As notas por escola foram divulgadas nesta segunda-feira pelo
Ministério da Educação e divididas pela porcentagem de participação dos
estudantes no exame. No grupo principal, com mais de 75% de
participação, o "top 100" é formado por 87 escolas particulares e 13
públicas. As escolas têm até 30 dias para recorrer das notas obtidas no
exame.
Evitar distorções
Escolas com menos de 2% de participação não foram consideradas. Segundo o MEC, por causa da diversidade na taxa de participação no Enem, não é possível tecnicamente estabelecer comparações entre os resultados dos diferentes grupos. O ministério optou por criar as quatro categorias para evitar comparações equivocadas e a criação de rankings distorcidos. Como o Enem não é obrigatório, uma escola poderia selecionar seus melhores alunos e obter uma média alta, número que seria diferente se todos os seus estudantes participassem. Devido a esta nova forma de divulgação o MEC atrasou a divulgação das notas, que estava prevista para julho.
Escolas com menos de 2% de participação não foram consideradas. Segundo o MEC, por causa da diversidade na taxa de participação no Enem, não é possível tecnicamente estabelecer comparações entre os resultados dos diferentes grupos. O ministério optou por criar as quatro categorias para evitar comparações equivocadas e a criação de rankings distorcidos. Como o Enem não é obrigatório, uma escola poderia selecionar seus melhores alunos e obter uma média alta, número que seria diferente se todos os seus estudantes participassem. Devido a esta nova forma de divulgação o MEC atrasou a divulgação das notas, que estava prevista para julho.
(Foto: Humberta Carvalho)
Nenhuma escola estadual ou municipal aparece entre as cem primeiras do
Enem. As escolas públicas que se destacaram são colégios de aplicação de
universidades, colégios militares, escolas federais e escolas técnicas.
Aumentando o universo para as mil escolas com mais de 75% de
participação que obtiveram melhor desempenho no exame, o Enem tem 926
privadas e apenas 74 públicas.
O desempenho dos alunos melhorou em relação ao Enem anterior. A nota
média geral das escolas subiu de 501,58 em 2009 para 511,21 em 2010 e a
participação dos alunos que concluíram o ensino médio regular no ano
anterior passou de 45,8% em 2009 para 56,4% em 2010. A participação no
Enem dos alunos que concluíram o ensino médio regular aumentou de 45,8%
em 2009 para 56,4% em 2010.
Enem não avalia qualidade, dizem educadores
O resultado de determinada escola no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) não deve ser o único critério para que pais decidam matricular seus filhos nela, afirmam especialistas em educação ouvidos pelo G1. De acordo com os educadores, a comparação entre escolas não dá pistas sobre a qualidade do ensino, e o uso do Enem como "vestibular" não mede os desafios que o estudante enfrenta no aprendizado durante o ensino médio.
O resultado de determinada escola no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) não deve ser o único critério para que pais decidam matricular seus filhos nela, afirmam especialistas em educação ouvidos pelo G1. De acordo com os educadores, a comparação entre escolas não dá pistas sobre a qualidade do ensino, e o uso do Enem como "vestibular" não mede os desafios que o estudante enfrenta no aprendizado durante o ensino médio.
Ocimar Munhoz Alavarse, professor de avaliação e política educacional
Faculdade de Educação da USP, diz que “o Enem a cada ano mais está se
transformando num grande vestibular” e, por isso, “derivar a qualidade
da escola [a partir do ranking do Enem] é questionável”.
A coordenadora de psicopedagogia da PUC de São Paulo, Neide Noffes,
afirma que “a competição e a comparação [entre escolas] não dá pistas”,
porque só mostra as notas, mas “não elenca os atributos dessas escolas”.
Escolher a escola ideal para os filhos, segundo ela, é uma tarefa que
precisa levar em conta outros critérios.
Enem (Foto: Alba Valéria Mendonça/G1)
Colégio do RJ tem a maior média
Os colégios particulares dominam o topo da lista do Enem. O Colégio de São Bento, do Rio, obteve a maior média, com 761,7 pontos. Em segundo lugar aparece o Instituto Dom Barreto, de Teresina (PI), seguido pelo Colégio Vértice, de São Paulo; Colégio Bernoulli e Colégio Santo Antônio, de Belo Horizonte; Colégio Cruzeiro, do Rio; e Educandário Santa Maria Goretti, também de Teresina. A melhor escola pública da lista é o Colégio de Aplicação da Universidade Federal de Viçosa (MG), que aparece em oitavo lugar no geral.
Os colégios particulares dominam o topo da lista do Enem. O Colégio de São Bento, do Rio, obteve a maior média, com 761,7 pontos. Em segundo lugar aparece o Instituto Dom Barreto, de Teresina (PI), seguido pelo Colégio Vértice, de São Paulo; Colégio Bernoulli e Colégio Santo Antônio, de Belo Horizonte; Colégio Cruzeiro, do Rio; e Educandário Santa Maria Goretti, também de Teresina. A melhor escola pública da lista é o Colégio de Aplicação da Universidade Federal de Viçosa (MG), que aparece em oitavo lugar no geral.
Entre as 13 escolas públicas que aparecem na lista das cem com melhores
médias no Enem, sete são ligadas a universidades públicas (Coluni -
Colégio de Aplicação da Universidade Federal de Viçosa-MG, Colégio de
Aplicação da Uerj, Colégio de Aplicação da Universidade Federal de
Pernambuco, Escola do Recife FCAP Universidade Estadual de Pernambuco,
Colégio Politécnico da Universidade Federal de Santa Maria-RS e Colégio
de Aplicação da UFRJ); quatro são colégios militares (CM Belo Horizonte,
CM Campo Grande, CM Juiz de Fora e CM Porto Alegre), uma é escola
técnicas (ETE de São Paulo) e uma é escola federal (Colégio Pedro II, do
Rio).
entre as com 75% de presença no Enem (Foto: Juliana
Cardilli/G1)
Escola indígena teve pior desempenho
As escolas públicas dominam a lista das escolas com pior desempenho entre as que tiveram mais de 75% de participação no Enem 2010. Das mil piores, 704 são públicas e 296 são privadas. Entre as que tiveram de 50% a 74,9% de participação, a diferença é ainda maior: 987 são públicas e 13 são particulares.
As escolas públicas dominam a lista das escolas com pior desempenho entre as que tiveram mais de 75% de participação no Enem 2010. Das mil piores, 704 são públicas e 296 são privadas. Entre as que tiveram de 50% a 74,9% de participação, a diferença é ainda maior: 987 são públicas e 13 são particulares.
A escola com pior desempenho das que tiveram mais de 75% de
participação é a Escola Estadual Indígena Txeru Ba' e Kua, no município
de Bertioga (SP), com média de 430 pontos. Em seguida estão a E.E.E.F.M.
José Roberto Christo, localizada em Afonso Cláudio (ES), e a Escola
Municipal Francisco José dos Santos, de Santa Rosa do Piauí (PI).
13 estados não aparecem entre as cem melhores
Dos 27 estados, 14 têm escolas representadas na lista das cem com melhor desempenho nas provas e que tiveram maior participação dos alunos no exame. Outros 13 estados ficaram de fora desta "elite". Os estados com maior número de escolas entre as cem primeiras são Rio de Janeiro (35 escolas), Minas Gerais (28) e São Paulo (15). Estes três estados concentram 78% das escolas do "top 100". Em seguida vem o Piauí (5). Também estão representados os estados de Mato Grosso do Sul (3), Pernambuco (3), Goiás (2), Maranhão (2), Rio Grande do Sul (2) , Amazonas (1), Bahia (1), Ceará (1), Distrito Federal (1) e Paraná (1).
Dos 27 estados, 14 têm escolas representadas na lista das cem com melhor desempenho nas provas e que tiveram maior participação dos alunos no exame. Outros 13 estados ficaram de fora desta "elite". Os estados com maior número de escolas entre as cem primeiras são Rio de Janeiro (35 escolas), Minas Gerais (28) e São Paulo (15). Estes três estados concentram 78% das escolas do "top 100". Em seguida vem o Piauí (5). Também estão representados os estados de Mato Grosso do Sul (3), Pernambuco (3), Goiás (2), Maranhão (2), Rio Grande do Sul (2) , Amazonas (1), Bahia (1), Ceará (1), Distrito Federal (1) e Paraná (1).
obteve a segunda melhor média (Foto: Divulgação)
Na lista das cem piores escolas deste grupo com mais de 75% de participação no Enem aparecem 31 colégios do Espírito Santo.
Em seguida estão as escolas do Ceará (16), Maranhão (11), Amazonas (9),
Bahia (4), Minas Gerais (4), Piauí (4), Paraná (3), Rio Grande do Sul
(3), Sergipe (3), Tocantins (3), São Paulo (2), Goiás (1), Mato Grosso
(1), Pernambuco (1), Rio Grande do Norte (1), Roraima (1), Rondônia (1) e
Santa Catarina (1).
Entenda o Enem
O Enem foi criado em 1998 pelo MEC com o objetivo de avaliar as habilidades e competências dos estudantes concluintes do ensino médio. Em 2009, o exame foi reformulado e passou a ser usado como processo seletivo para instituições de ensino superior. A partir do resultado da prova, os alunos se inscrevem no Sistema de Seleção Unificada (Sisu) e podem pleitear vagas em instituições públicas de ensino superior de todo o país. Estudantes também podem usar o resultado do Enem para solicitar a certificação de conclusão do ensino médio.
O Enem foi criado em 1998 pelo MEC com o objetivo de avaliar as habilidades e competências dos estudantes concluintes do ensino médio. Em 2009, o exame foi reformulado e passou a ser usado como processo seletivo para instituições de ensino superior. A partir do resultado da prova, os alunos se inscrevem no Sistema de Seleção Unificada (Sisu) e podem pleitear vagas em instituições públicas de ensino superior de todo o país. Estudantes também podem usar o resultado do Enem para solicitar a certificação de conclusão do ensino médio.
Em 2010, 4.626.094 estudantes fizeram o Enem. O exame foi composto por
redação e provas objetivas em quatro áreas do conhecimento: linguagens,
códigos e suas tecnologias; ciências humanas e suas tecnologias;
ciências da natureza e suas tecnologias; e matemáticas e suas
tecnologias. A média total da escola é calculada pela média do número de
participantes que fizeram as provas objetivas e pelo número de
participantes que fizeram a redação.
A próxima edição do Enem será realizada nos dias 22 e 23 de outubro.
Mais de 5,3 milhões de estudantes se inscreveram. Em 2012, o MEC vai
realizar duas edições do exame, a primeira será nos dias 28 e 29 de
abril e a segunda será no segundo semestre, provavelmente em outubro.
Nenhum comentário:
Postar um comentário