A volta do
mendigo
Eu vi um
mendigo
depois de
muitos anos;
ao seu lugar
retornando
magro e
esfarrapado.
Hoje um
viciado!
Antes era
poliglota.
hoje um
alcoólatra
nas ruas
jogado.
Eu a vi
perambulando
na rua onde
morava;
onde antes
ele brincava
quando ainda
era criança.
Perdida as
alegrias da infância.
Queria ser
sacerdote
hoje espera a
morte
no álcool
afoga sua ânsia.
Retornando ao
seu lugarejo
sua mãe ele
não encontrou;
O tempo que
já passou
ela morreu,
ele não sabia.
Resta apenas
a casa vazia.
Pra sua mãe
ele nunca falou
que por ela
sentia amor
Se quisesse
falar hoje, não podia.
Eu a vi ao
amanhecer
ele deitado
na calçada;
Da capela que
antes rezava
em louvor a
São Francisco.
Talvez seja
isso?
Queria ser
padre!
Ser santo,
fazer milagre
perambular
hoje é seu sacrifício.
Ao ver esse
mendigo
pelas ruas
perambulando;
uma esmola
mendigando
“Dez centavos
pra tomar uma dose”!
Remédio pra
sua neurose.
Antes tu eras
saudável
hoje é um
miserável
Com mal de
cirrose.
E vendo esse
homem
eu fico
pensando;
o tempo vai
passando
eu não posso
saber.
O que amanhã
vai acontecer?
Prever o
futuro não consigo.
Talvez amanhã
seja eu o mendigo
ou quem sabe
você.
Donizete de Souza
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