domingo, 11 de setembro de 2011


A volta do mendigo


Eu vi um mendigo
depois de muitos anos;
ao seu lugar retornando
magro e esfarrapado.
Hoje um viciado!
Antes era poliglota.
hoje um alcoólatra
nas ruas jogado.

Eu a vi perambulando
na rua onde morava;
onde antes ele brincava
quando ainda era criança.
Perdida as alegrias da infância.
Queria ser sacerdote
hoje espera a morte
no álcool afoga sua ânsia.

Retornando ao seu lugarejo
sua mãe ele não encontrou;
O tempo que já passou
ela morreu, ele não sabia.
Resta apenas a casa vazia.
Pra sua mãe ele nunca falou
que por ela sentia amor
Se quisesse falar hoje, não podia.



Eu a vi ao amanhecer
ele deitado na calçada;
Da capela que antes rezava
em louvor a São Francisco.
Talvez seja isso?
Queria ser padre!
Ser santo, fazer milagre
perambular hoje é seu sacrifício.

Ao ver esse mendigo
pelas ruas perambulando;
uma esmola mendigando
“Dez centavos pra tomar uma dose”!
Remédio pra sua neurose.
Antes tu eras saudável
hoje é um miserável
Com mal de cirrose.

E vendo esse homem
eu fico pensando;
o tempo vai passando
eu não posso saber.
O que amanhã vai acontecer?
Prever o futuro não consigo.
Talvez amanhã seja eu o mendigo
ou quem sabe você.

Donizete de Souza














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